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Ler impacta e educa, como a vida

Citação do professor Antonio Cândido, na conferência feita na SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) em 1972: “A literatura pode formar, mas não segundo a pedagogia oficial que costuma vê-la ideologicamente como um veículo da tríade famosa – o Verdadeiro, o Bom, o Belo –...

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DOE PALAVRAS curando a alma pela internet

Por bookess | Postado em Novidades | Em 03-09-2010

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O DOE PALAVRAS, uma iniciativa simples que conquistou o País e ganhou o mundo já mobilizou quase 1 milhão de pessoas e foi finalista do Festival Internacional de Cannes.

Trata-se do projeto Doe Palavras, criado pelo Instituto Mário Penna, de Minas Gerais, que administra dois hospitais oncológicos e uma casa de apoio. A ideia é recolher mensagens de encorajamento por meio de um site e do Twitter. Os textos são exibidos em monitores do setor de quimioterapia e radioterapia. As melhores frases serão reunidas em livro, que serão distribuídos para instituições públicas que tratam do câncer.

Desde o lançamento da campanha, em 8 de abril, Dia Mundial de Combate ao Câncer, foram postadas mais de 1 milhão de mensagens, enviadas de 121 países. A capital paulista encabeça o ranking da solidariedade, com 220.686 textos. Rio de Janeiro (151.327) e Belo Horizonte (150.348) seguem quase empatadas em segundo lugar. Os dados, da empresa Map Overlay, foram computados até 18 de agosto.

– O estado de espírito do paciente é parte fundamental para o enfrentamento da doença, inclusive para a cura. Há estudos que apontam que a esperança, a fé forte na cura ajudam no fortalecimento do sistema imunológico – afirmou o superintendente-geral do Instituto Mário Penna, Cássio Eduardo Rosa Resende.

O vice-presidente da República, José Alencar, que tem câncer desde 1997, escreveu: Devemos sempre ter fé e confiança. Fé em Deus, confiança nos médicos. Esse é o caminho para alcançarmos o nosso objetivo.

Participe você também: As mensagens devem ter até 140 caracteres e podem ser enviadas pelo site www.doepalavras.com.br ou pelo Twitter (basta escrever, após o texto, a expressão #doepalavras

Fonte: http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs/impressa/11,3019520,157,15380,impressa.html


A absurda guerra de preços dos e-books no Reino Unido

Por bookess | Postado em Novidades | Em 03-09-2010

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A guerra de preços dos e-books foi deflagrada no Reino Unido com a inauguração da e-bookstore da Amazon– a rede chegou a cobrar menos de três libras por alguns best-sellers, o que um editor considerou como “absolutamente absurdo”. Preocupações têm sido levantadas sobre o fato de o mercado britânico poder estar entrando em uma batalha similar à vivida pelos EUA no ano passado. Entretanto, alguns editores disseram que os preços baixos podem não afetar o futuro modelo de precificação de e-books. A Amazon.co.uk inaugurou sua loja há duas semanas prometendo oferecer os preços mais baixos do mercado. Em resposta, a W H Smith derrubou o preço dos top 100 e-books de ficção a um terço de seu preço original, e depois disse que venderia todos os e-books com 50% de desconto.

No final de tudo a leitura está vencendo.

Fonte: Por Graeme Neill | Publicado originalmente em The Bookseller, em inglês.


O Zen na arte de tocar uma livraria

Por bookess | Postado em Novidades | Em 03-09-2010

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Um dos assuntos mais emergentes nos últimos anos tem sido o Budismo. Simpatizo com estes leitores que tentam absorver esta cultura. Digo tentam, porque é realmente uma tentativa, somos ocidentais, no máximo flertamos um pouco com esta filosofia do Oriente. E para derrubar o meu preâmbulo – como dizia o outro, “A coerência é um fardo difícil de carregar” -, revi esta impressão ao conhecer a Monja Coen, uma ocidental, ex-jornalista e uma das maiores figuras ligadas ao zen-budismo no país.

Foi através de um amigo comum, o psicanalista Eduardo Bandeira, que tivemos a oportunidade de realizar um papo seguido de autógrafos com a Monja. Eu estava na maior pilha de nervos, ela estava atrasada e não parava de chegar gente. O pessoal ia chegando e subindo para garantir um bom lugar no nosso pequeno auditório. Não cabia mais ninguém, e continuava chegando clientes. Somavam-se a eles umas quatro equipes de emissoras, e eu não conseguia ficar nada zen.

Quando o telefone tocou atendi de pronto e do outro lado uma voz alegre, quase gritada me disse: – Diga ao Zé Luiz que passamos por um nevoeiro na serra, chegaremos logo! Relaxei e já emendei para o pessoal: – Eu falei! Ela está nos arredores, está tudo bem.

Vinte minutos depois vejo duas figuras em quimonos pretos – ela está com um discípulo – entrando na livraria. Foi uma confusão, jornalistas, leitores pegando exemplares para autógrafo e eu tentando dar as boas vindas. Subimos sem conversar com ninguém e pedi para a Monja iniciar o evento pela palestra.

Bem, para piorar o tumulto quem estava no térreo quis subir, a coisa apertou no nosso pequeno mezanino. Em meio à muvuca alguém grita: – O chão vai cair! Eu conheço a estrutura, nunca tive este medo, já o público… No mesmo momento a autora usa de um tom firme e sereno e pede para que todos façam uma mentalização de um minuto. Os decibéis deram lugar ao silêncio e, ao final Coen falou, boa noite. A partir deste episódio tudo andou muito bem, papo no andar de cima e autógrafos no térreo.

Me chamou a atenção a dedicação do discípulo às orientações da Monja. Só uma passagem entre eles me intrigou e logo depois entendi o que se passou. Estávamos combinando onde iríamos jantar, já na porta da loja quando vimos o assistente se aproximando perigosamente de um pão de mel que se oferecia no nosso balcão do café. Uma bronca em forma de kiai foi dada e o rapaz brincou de estátua por um segundo. Mais tarde entendi, os monjes se alimentam e esperam pelas refeições que lhes são oferecidas, se servir sem este ritual ofende o protocolo.

Vida de monge não é fácil. Terminamos a noite comendo muito bem, inclusive o discípulo, claro!

Fonte: http://www.publishnews.com.br/telas/colunas/detalhes.aspx?id=59356


Autor despreza editoras tradicionais e vende direto para fãs

Por bookess | Postado em Novidades | Em 03-09-2010

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Em uma significante deserção para o mercado editorial, o best-seller Seth Godin está deixando para trás sua tradicional editora, a Portfolio, após uma série de livros e planos, para vender seus trabalhos futuros diretamente para seus fãs. Ele disse que agora tem tanto contato com seus consumidores, relação construída especialmente em seu blog, que ele não precisa mais de uma editoria convencional. Godin planeja lançar títulos em e-books, impressão sob demanda, audiolivro, aplicativos, PDFs e podcasts. “Editoras são muito úteis para autores que não sabem quem lê seus livros”, disse. “O que a internet me propiciou, e a muitos outros, foi a oportunidade de conhecer os meus leitores”. Não está claro quantos best-sellers seguirão Seth Godin – e se seguirão. No entanto, sua saída da Portfolio, do grupo Penguin, acontece em um momento crítico para a indústria. Com tantos novos títulos passando menos tempo nas listas de mais vendidos, editoras estão cada vez mais dependentes de nomes como o de Godin, que vendem muito. Seu último livro, Linchpin: Are You Indispensable? já vendeu mais de 50 mil cópias desde janeiro.

Fonte: Publicado originalmente em The Wall Street Journal | Por Jeffrey


Autora explica como redes sociais impulsionaram a venda de seu livro

Por bookess | Postado em Dicas para seu Livro | Em 03-09-2010

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Recebi treze rejeições antes de decidir autopublicar o meu livro. Isso foi há cinco anos. Ouvi muitas histórias desastrosas de autores autopublicados, principalmente em relação à imprensa e às caixas de livros empoeirando nos hobby boxes. Eu sou uma das escritoras sortudas, neste aspecto. Já assinei grandes contratos pra fazer uma série de livros, com direitos autorais mundiais garantidos. O segredo do meu sucesso? Meus sites, blogs e a intensa atividade da minha rede social.

Assim que acabei de escrever o meu livro criei um site e enviava posts regulares. Inicialmente comecei com vinte destinatários; minha lista de discussão tem, agora, bem mais do que mil assinantes. Três anos depois, temos uma comunidade próspera www.stonewylde.net, uma rede social com cerca de 700 membros, além das adesões diárias. Eles adicionam fotos e vídeos, participam em muitos debates diferentes, atualizam o status com regularidade e participam do chat. É uma comunidade feita de amizades verdadeiras.

A melhor coisa sobre redes sociais é que ela mantém os fãs engajados. Ao invés de simplesmente lerem os meus livros e então seguirem em frente, eles permanecem fiéis à Stonewylde. Eles falam sobre a nossa comunidade para  os seus amigos e familiares que, em seguida, também leem os livros. A lealdade dos leitores..


Livro eletrônico começa a mudar hábitos de leitura

Por bookess | Postado em Novidades | Em 02-09-2010

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Muitas pessoas que compram livros eletrônicos passam a dedicar mais tempo à leitura, mostram as primeiras pesquisas sobre o assunto, num sinal encorajador para o mercado de livros.

Num estudo com 1.200 donos de leitores de livros eletrônicos nos Estados Unidos, realizado pela Marketing and Research Resources Inc., 40% disseram que passaram a ler mais do que com livros impressos. E 55% dos entrevistados pelo estudo, realizado em maio e financiado pela Sony Corp., que fabrica aparelhos do tipo, acharam que vão usar o aparelho para ler ainda mais livros futuramente. O estudo analisou donos de três aparelhos: o Kindle, da Amazon Inc., o iPad, da Apple Inc., e o Sony Reader.

Embora os leitores eletrônicos ainda sejam um produto de  um nicho que só começou a se espalhar para além dos primeiros usuários, essa nova experiência..


E se você tiver leitores?

Por bookess | Postado em Novidades | Em 02-09-2010

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Sua resposta pode ser: como assim? Meu sonho é ter “o” leitorado. E as reflexões que sugiro começam no seu primeiro leitor. De qualquer forma, seja um ou inúmeros, o seu leitoril não é um elemento móvel apto a receber livro de forma inclinada, para facilitar a leitura. O leitor é uma pessoa com impressões próprias. Vamos lá, caso a caso:

1. Seu primeiro leitor, você nunca esquece ou deve esquecer…

Essa experiência está relacionada ou àquelas observações chatas a tudo que você imaginou ter escrito, ou ao comentário que lhe reconheceu como autor “profissional”. Tanto em uma situação como na outra, se você foi livre para escrever o que desejou, entregue ao outro a mesma independência. Deixe seu leitor viver as experiências dele com a sua obra, apesar de todas as controvérsias.

2. Escrevo para mim…

Uma fala muitas vezes declarada nas mesas de debates. Quando ouvimos isso, observamos a nossa volta e encontramos olhares, transbordando brilho de admiração para o autor do livro recém-começado ou recém-terminado. O que significa que: ou as palavras escritas ainda estão conquistando, ou deixaram tão estonteados de sensações os leitores presentes. São presenças ali, ouvindo você – autor, porque não basta mais saber de sua escrita, tem de procurar outras facetas suas para se identificar e se deslumbrar mais e mais. Será que o depoimento deveria ser: escrevo para você, leitor…

3. Por favor, um autógrafo? Leio tudo o que você escreve….

Isso é usual em eventos, onde autores circulam com seus agentes, editores, produtores ou colegas. Você, ali de passagem ou passeando e pronto: cai um pedido desse nos seus ouvidos. A sua maneira, volta-se para a pessoa e o que acontece? Aparece um papelzinho para guardar sua letra, uma fotocópia do seu último livro, acompanhada da caneta que receberá seu toque, ou a sua glória – seu livro para ser assinado. Não discordo que o contato do leitor aqui gera mais dúvidas do que satisfação de se relacionar… Mas e se for tudo verdade? Sua gratidão a essa suposta “verdade” pode levá-lo a viver das vendas de seus livros, palestras e afins.

4. Falem bem ou falem mal, mas falem de mim…

Seja a imprensa, as redes sociais, alunos… seja quem souber de você e de sua obra. Conforme o veículo ou grupo de pessoas que esteja comentando a seu respeito, muitas vezes nem direito a defesa terá, mas vale a pergunta: como tudo isso começou? Na sua impossibilidade de atender a todos, na sua própria personalidade, na sua mais recente obra, nas suas opiniões, enfim como o amanhã com o hoje repleto de rejeições será? Você pode fazer mais sucesso e até enriquecer. Você pode desaparecer na indiferença ou na negação — tipo: nem vem que não falo e nem escrevo sobre aquele autor.

5. Palestras e eventos sempre atrapalham minha criação; sou escritor, gosto do meu canto e das minhas histórias…

Bom, se você já se pensou assim: optar pelo leitor ou pela criação, então, já não é só você que quer saber de suas histórias. Era você que me garantiu lá em cima que queria “o leitorado”? Pondere agora como vai atendê-lo… Vão pagar para te ver de longe (porque não conseguirão te ouvir de perto)? Só vai a determinados eventos e a outros nem pensar? E se naquele exato local em que não deseja ir nem recebendo nem pagando estiver lhe esperando o comprador da primeira edição inteira de seu livro ou apenas um agente ou editor internacional com a oferta dos seus sonhos ou o repórter do melhor jornal de livros do mundo?

Você tem certeza de que deseja leitores?

Por: Marisa Moura

Fonte: http://www.publishnews.com.br/telas/colunas/detalhes.aspx?id=59613


Doação de livro vira pena alternativa

Por bookess | Postado em Novidades | Em 02-09-2010

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Quem se envolver em crimes leves em Presidente Venceslau, no extremo oeste paulista, terá a chance de optar pelo pagamento de uma pena alternativa inédita no País: a doação de livros infantis para os cerca de 4 mil alunos das 16 escolas municipais. O autor da ideia é o juiz Silas Silva Santos, de 33 anos. A doação substitui outras penas alternativas, como doação de cestas básicas, prestação de serviços comunitários e pagamento de multas. Para escapar de processos, 24 interessados aderiram à proposta do magistrado desde março. Até agora, 14 acusados doaram 648 livros infantis à Secretaria Municipal de Educação. Serão beneficiados os acusados de crimes leves, como calúnia, desacato e lesões corporais leves, condenados a até 2 anos de prisão. “Eu entrego uma lista de livros e ele (acusado) próprio entrega na Secretaria. Nós optamos por transformar essa prestação de serviço no que eu chamaria de cesta de livros. O objetivo é formar bibliotecas municipais”, diz Silva Santos. Quem adere ao programa compra  coleções de livros de vários autores na única livraria da cidade.

Fonte: http://www.publishnews.com.br/telas/clipping/detalhes.aspx?id=59653


Quem são os leitores de quadrinhos nos E-Readers?

Por bookess | Postado em Novidades | Em 02-09-2010

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Os quadrinhos digitais estão passando por grandes mudanças. Os distribuidores se preocupam pela perda de clientes. Os editores sonham conseguir novos leitores, ou manter cativos o seu fiel público leitor ( HQ impressa). Mas, como?

Muitos já estão lendo quadrinhos quase que exclusivamente em seus IPads. Mas curioso mesmo é o que se passa na mente das pessoas. Muitos leitores foram cativados ainda durante o Ensino Fundamental. Depois levaram o costume à faculdade, onde tiveram acesso às séries completas, e cada  vez melhor apresentadas graficamente. Um show de desenhos e cores, com histórias cada vez mais surpreendentemente adequadas à realidade.
A maioria que ainda compra as versões em papel esperam ansiosamente pela chegada das últimas novidades.

Mas ler HQ no IPad é outra história.

Dá para sentir a animação. É tudo mais vivo e real! Há um movimento, há maior fluxo de arte entre uma cena e outra. O importante, na HQ de IPad, é imaginar os conteúdos.
Os consumidores de HQ nos IPads estão perdidamente apaixonados por essa nova plataforma. A nova experiência com uma visualização mais dinâmica é prazerosa; os conteúdo online disponíveis também têm melhorado, com paineis de resolução mais alta e  zoom. Só o fato de eles não se preocuparem com a questão do armazenamento, ou da manutenção  compensa, e muito, a mudança da versão em  papel para a de um e-reader.
Os leitores norte-americanos já estão lendo cerca de 20 HQs mensais, com conteúdos disponibilizados pela Marvel Comics, DC, entre outras grandes empresas que optaram pela distribuição deles. Além do fato de, agora, o leitor poder acessar séries completas clássicas, como é o caso do Homem de Ferro, por exemplo.

Versão em papel ou digital, essas coisas são realmente preocupantes. E o mercado tem investido muito nisso.
O fascínio, no final das contas, continua sendo pelo conteúdo, e não pelo aplicativo que torna a história legível. A tecnologia e as ferramentas estão avançando, mas ainda há uma magia em se ter os livros nas mãos, colorido, pesado, pronto para ser lido e guardado na estante.  O IPad (e certamente outros dispositivos similares),  podem tirar vantagem ao não terem de esperar para fazerem grandes mudanças e não ter que armazenar a mídia fisicamente. O mundo quer ler, ouvir, interagir. Mas o mundo não pode  ficar preso a modelos antigos. Há espaço para criar, recriar e seguir em frente.

A Bookess acredita neste novo mundo e aposta na nova geração de quadrinistas.


Pequenos, sim, mas levados a sério

Por bookess | Postado em Novidades | Em 02-09-2010

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Nos congressos de profissionais ligados ao livro para crianças, as sessões menos concorridas são as que apresentam conferencistas falando sobre teoria e crítica, diz o estudioso inglês Peter Hunt, de 65 anos, uma autoridade em literatura infanto-juvenil. Hunt, professor emérito da Universidade Cardiff, pai de quatro filhas, todas grandes leitoras incentivadas por ele, conta que escreveu sua última obra numa época em que um maremoto de teorias cobria as estantes das bibliotecas universitárias britânicas, isto é, no começo de 1990, sete anos antes do fenômeno Harry Potter, que não entraria na lista dos favoritos do professor – ele gosta mais de Rudyard Kipling, Quentin Blake e Arthur Ransome. Hunt, aliás, escreveu seu livro justamente para acabar com a crítica intuitiva e vaga de gente que considera a literatura infantil simples e inferior à destinada ao público adulto.

O professor também sempre desconfiou de pedagogos que lhe recomendavam não deixar os livros para criança cair nas mãos dos departamentos de literatura das universidades, assumindo uma injustificável posição anti-intelectual. Há algo errado com acadêmicos que não consideram a teoria da literatura infantil digna de nota, observa. Esse anti-intelectualismo, diz ele, ultrapassa a fronteira acadêmica para dominar até mesmo as associações e federações de livros para crianças, que influenciam as compras governamentais de obras destinadas a escolares, funcionando às vezes como censores – é histórico o caso da ilustradora alemã Rotraut Susanne Berner, que há três anos, por sugestão de seu editor americano, recusou retirar de seu livro infantil a figura de um homem nu, tendo a publicação suspensa. Num país como o Brasil, em que o governo compra um em cada três livros vendidos pelas editoras, pode-se imaginar as proporções do desastre comercial dessa interferência.

Claro que não sabemos como uma criança lê, se ela o faz como uma experiência literária ou funcional, mas não vejo razão para que os livros de criança recebam menos atenção que uma obra de Shakespeare. Um olhar adulto nem sempre é perfeito para decretar o que vale ou não. Crianças, diz, diferem da norma e isso é o que faz a literatura infantil transgredir sempre. Mesmo não dispondo de instrumentos para analisar a linguagem dos livros, a fantasia da criança é maior, insubordinada.

Um clichê que ele vê finalmente excluído em nossa época, de autores transgressores como Kitty Crowter, é aquele que supõe ser o final feliz desejado pela criança. Ele não é garantia que a obra vá exercer alguma influência positiva sobre ela. Claro, não acho uma boa ideia escrever sobre doenças terminais para o público infantil, responde, ao se referir a livros como Vovô Esqueceu Meu Nome, de Nancy Grünewald, sobre um ancião que sofre do mal de Alzheimer. No entanto, como contar a uma criança sobre o trágico episódio da bomba atômica de Hiroshima?, pergunta. Devemos ou não escrever sobre o assunto? Hunt parece concordar com o acadêmico e terapeuta australiano Huch Crago, defensor da tese de que roteiro, personagem e tema não têm tanta importância quando se discute a experiência literária da criança, que não seria afetada por um final feliz ou escapista. Numa primeira fase de desenvolvimento, alerta Hunt, a criança de fato prefere uma história com desfecho e que a normalidade seja restabelecida. Os clássicos seguem essa norma, particularmente os vitorianos, acrescenta.Mas, em tempos de internet, quando a criança pode interferir nas histórias, controlar o que lê e até mudar um roteiro, a autoridade do autor não é mais a mesma.

Não dá para ser simplista numa questão dessas, mas também não dá para aceitar a linguagem uniformizada que o mercado editorial pretende impor às crianças de hoje, critica, referindo-se aos simulacros de Harry Potter que inundam o mercado há mais de uma década. São os críticos, segundo ele, os culpados por criar um cenário intelectual propício à produção de textos imitadores da saga de Harry Potter escrita pela britânica J. K. Rowling. A escolha das crianças apenas segue a ideologia de quem escreve sobre literatura infantil. Nem mais, nem menos. Ontem foi Harry Potter. Hoje são vampiros assexuados.

Hunt desconfia que uma nova onda moralista, traduzida na revisão de clássicos, vire um tsunami, considerando as “adaptações” que editoras inglesas encomendam a autores de best sellers como Pedro Coelho, de Beatrix Potter (cuja versão original com os desenhos da autora foi lançada no Brasil pela editora Lótus do Saber). Ele lembra que a escritora, morta em 1943, chegou a ser procurada por um editor que lhe sugeriu reescrever seu livro com “palavras simples o bastante para uma criança entender”. A réplica de Beatrix não foi muito educada. Ela, a exemplo de seus leitores, preferiu a anarquia de seus coelhos infernizando a vida de seu Gregório, o horticultor.

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100828/not_imp601563,0.php